terça-feira, 26 de novembro de 2013

Horário de Funcionamento da Loja APROCAMAS Monte Alegre do Sul - SP

Horário de Funcionamento das 8h00 às 17h00 (Segunda-feira, Quinta-feira a Domingo e Feriado).

À Direção da APROCAMAS

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Bebidas produzidas na região do Circuito das Águas Paulista entre as melhores em Concurso de Qualidade da Unesp Araraquara


A Cachaça Campanari ficou em 3º lugar entre as concorrentes da categoria descansada e a Cachaça Alma da Serra, da Microdestilaria Hof ficou em 4º lugar. A disputa também teve representantes de outros estados no IX Concurso de Qualidade da Cachaça, promovido pelo Centro de Pesquisas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Araraquara.

O objetivo do concurso é ampliar a divulgação da cachaça no mercado consumidor e também estimular e ajudar os produtores a elevar cada vez mais o padrão de qualidade de seus produtos. "Promovemos palestras e orientações para auxiliar na busca por essa qualidade", explica Michele Boesso Rotta, pesquisadora da Unesp.

A competição reuniu dezenas de outras bebidas enviadas por outros produtores, não só do estado de São Paulo, mas também do Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

As amostras envelhecidas, não envelhecidas e descansadas foram analisadas e classificadas separadamente. As amostras inscritas foram inicialmente submetidas a um processo de avaliação sensorial, conduzido no Laboratório de Análise Sensorial do Departamento de Alimentos e Nutrição da FCFar-UNESP (Faculdade de Ciências Farmacêuticas - UNESP/Araraquara) por um painel de provadores, que indicaram dentre as amostras aquelas que apresentam as médias de aceitação mais altas com relação à impressão global. Após a fase de triagem acima mencionada, as amostras selecionadas foram finalmente avaliadas pela comissão julgadora, constituída por uma equipe de especialistas da área que, com base nos resultados sensoriais e em concordância com a maioria de seus membros, indicaram as amostras classificadas no concurso.

Para avaliar a qualidade das cachaças participantes, a Unesp levou 60 tipos da bebida a bares e restaurantes, onde clientes foram convidados a degustar e ajudar na escolha nas três categorias.

Produção inteiramente artesanal

O resultado é considerado excelente pela Microdestilaria Hof, de Serra Negra, pois trata-se de um produto novo no mercado e produzido em pequena escala. "Não utilizamos qualquer substância ou açúcar para alterar o sabor da bebida", afirma o produtor. "Essa vitória reafirma nosso compromisso com a qualidade e preservação das características originais da cachaça que destilamos", complementa.

A produção, de 65 litros diários, é armazenada parcialmente em recipientes neutros, para a obtenção da cachaça “branquinha” e também em barris de carvalho francês e americano de procedência superior (alta toneleria) para descanso e posterior comercialização.

É no pequeno e rústico Sítio Santo Antônio que a qualidade da cachaça Campanari, 3º lugar no concurso, é que faz a graça do alambique de Antonio Sérgio Campanari, o Neno. A pinga artesanal é uma das mais antigas de Monte Alegre do Sul,  produzida desde 1932 pelo avô de Neno, o italiano Luigi Campanari.

Em alta no mundo

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e investimentos, as exportações de cachaça brasileira em 2012 atingiram US$ 15 milhões. O volume comercializado passou de 8 milhões de litros, evidenciando que a cachaça vem, há muito, deixando de ser considerada uma bebida popular, marcando presença nos badalados circuitos gastronômicos.

http://ziegenhof-licoresdestilados.blogspot.com.br/2013/11/bebidas-produzidas-na-regiao-do.html

Uma ressaca "mardita" Cachaça


PAPO DE BOTEQUIM 30/08/2013 Felipe Araújofelipearaujo@opovo.com.br
Nossa mais tradicional bebida registra queda de vendas de até 40% nos últimos anos e procura se reinventar investindo em novos públicos e novos produtos.

Em dois anos, uma queda de 10% nas vendas. Entre 2011 e 2013, retração equivalente a mais de 16 milhões de garrafas – saindo de 173 milhões de litros da “marvada” num ano para 157 milhões no outro. Esse vem sendo o desempenho de mercado do mais famoso destilado brasileiro segundo pesquisa da consultoria britânica Mintel, divulgada este mês pela revista Dinheiro. Entre as marcas consideradas mais populares, o recuo foi ainda maior, de cerca de 40%.

Segundo a revista, os motivos para o tombo foram dois. O primeiro, o aumento de renda do brasileiro, que permitiu a compra de bebidas mais caras. E o segundo, uma questão de status: o gosto dos aficionados por destilados está mudando, sobretudo entre os jovens. “O consumidor mais jovem está trocando a caipirinha pelo uísque com energético. É uma questão de aspiração social, os mais novos não querem ser vistos bebendo cachaça”, declarou à revista o diretor de pesquisa da Mintel no Brasil, David Turner.

A exportação poderia ser, literalmente, uma porta de saída para a crise. Quanto mais que, recentemente, a cachaça foi reconhecida pelos Estados Unidos como produto legitimamente brasileiro – até então a bebida era enquadrada na categoria de “rum”. E a expectativa é que essa mudança desse mais visibilidade ao produto no mercado internacional. Os números, porém, ainda estão longe de ser animadores: apenas 1% da produção anual de cachaça é exportada.

Esse é o pano de fundo das novas estratégias de marketing das empresas do setor, que estão tentando reposicionar a cachaça como uma opção sofisticada. Nessa corrida, os esforços vão de convites a astros internacionais - como John Travolta, contratado pela Ypioca - para o posto de garoto propaganda, até a criação de linhas “premium” dentro do portfólio das empresas - a marca Velho Barreiro, por exemplo, chegou a lançar uma edição limitada de uma garrafa incrustrada de diamantes (um mimo que não sai por menos de R$ 200 mil).

“Não acredito que o consumidor substituiu o produto, mas que ele está consumindo outros também”, afirma, em entrevista à revista Dinheiro, Eduardo Bendzius, diretor de marketing da Ypióca. “O preço médio da cachaça cresceu, o que mostra que há consumo de produtos de maior valor e até redução da informalidade”.

Retirado do blog: http://ziegenhof-licoresdestilados.blogspot.com.br/2013/11/uma-ressaca-mardita-cachaca.html

terça-feira, 31 de julho de 2012


Um pouquinho de Brasil…

Hoje tem uma dica bem caseira pra vc que gosta de conhecer lugares novos, diferentes e acolhedores! Bem perto de Campinas, cerca de 72 km, e de São Paulo (153 km), fica Monte Alegre do Sul. Já ouviu falar? Essa cidade é bem rica em atrativos naturais e culturais. Só visitando mesmo pra saber o o tanto de coisas que se tem para fazer e conhecer…
O clima por lá é bastante agradável .. e muitos turistas são atraídos por causa da natureza exuberando que o lugar exibe!!!! Pra vc que gosta de tranquilidade e sossego, é o cenário perfeito…. sabe aquele típico clima de interior, com direito à pracinha na frente da Igreja Matriz (Santuário Bom Jesus) e coreto? Pois é, tem tudo isso. 
E tem mais… uma definição que cabe como uma luva para Monte Alegre do Sul é a Capital da Cachaça! Isso porque a cidade produz anualmente mais de 500 mil litros de cachaça artesanal, em aproximadamente 60 alambiques, preocupando-se em manter e investir cada vez mais na qualidade. 
Separei alguns alambiques que são mais visitados:::::
* Cachaça Chora Menina
* Adega do Italiano (Pousada da Fazenda)
* Chácara da Tia Odete (Campanari)
* Fazenda Salmo XXIII
* Cantinho da Ni
* Adega Peterlini
* Cachaça Tarcísio Ferreira (Bairro dos Limas)
* Cachaça Nono Rouxinolli (Bairro do Falcão)
* Alambique Neno Campanari
* Adega O Rancho
É só chegar e se informar!!!
Monte Alegre do Sul produz Cachaça desde 1905, quando os italianos trouxeram seus conhecimentos para o Brasil. O método para destilar a bebida é como antigamente, em alambiques de cobre e com fermento natural. A cidade conta com ajuda da Aprocramas – Associação dos produtores de Cachaça de Monte Alegre do Sul e região, entidade criada desde 2003 que vem investindo em apoio técnico para os produtores, padronizando garrafas, criando rótulos, divulgando o produto e prezando pela qualidade. 
Quem visita Monte Alegre do Sul pode também conhecer os alambiques, experimentar a bebida e comprar direto do fabricante, ouvindo as dicas e histórias de cada um. 
Você também pode visitar a própria associação onde vai encontrar vários produtos, como as cachaças e licores de diversos alambiques da cidade. 

Jornal


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mais dicas para comprar boas Cachaças

 

7 de dezembro de 2011 | Categorias: Blog, Marketing e Cachaça | Por: Renato Figueiredo
Dicas de onde beber Cachaça - Tanta variedade!
Estão chegando as festividades de final de ano e o verão. Ah, o verão! A dica do Mapa da Cachaça é aproveitar tudo isso para conhecer um pouquinho mais a Cachaça brasileira. Na caipirinha, como presente ou em forma de livro. Vale tudo para conhecer mais o destilado nacional. Enquanto isto, por aqui seguimos ajudando você a escolher sua “branquinha” ou sua “douradinha”, com nossa série de dicas para comprar Cachaça. (veja mais dicas no post anterior).

  • CACHAÇAS SEM REGISTRO. É muito comum encontrar produtores vendendo cachaça diretamente em seu alambique, em restaurantes na estrada ou em pequenas lojas. É uma delícia encontrar boas versões da bebida nestes lugares, mas é preciso cuidado com algumas delas: principalmente as vendidas em garrafões, ou sem os registros que mencionamos antes. Muitas vezes praticando preços irrisórios (que podem chegar a 1 ou 3 reais o litro!), muitas pessoas que não têm na produção de cachaça sua atividade principal (são revendedores de cana para outras indústrias, por exemplo), acabam conquistando pessoas como você, ou seu amigo – que jura que aquela é a melhor Cachaça que já tomou na vida. Muitas vezes o produto agrada, é cheiroso e até aparentemente saboroso. A experiência de encontrar a cachaça e bebê-la ali, de maneira especial, corroboram para o seu julgamento. No entanto, é necessário algum cuidado com estes produtos: fazer cachaça é até relativamente fácil; mas fazer Cachaça de qualidade, não. É comum que produtos com altos índices de componentes prejudiciais à saúde sejam ao mesmo tempo muito cheirosos e gostosos. Mas também são perigosos para sua saúde. Cuidado!

  • EXAME VISUAL: Sim, por incrível que pareça, um simples exame visual pode te ajudar a verificar a qualidade das Cachaças. Pegue a garrafa, agite o líquido e verifique se não há elementos em suspensão que possam denunciar a falta de cuidado final na produção. Mesmo se a garrafa for escura, procure examiná-la contra a luz para saber se não há elementos indesejados no que vai beber. Se houver, dê preferência a outras marcas.

  • MADEIRAS: Há uma série de madeiras para envelhecimento, como sempre falamos aqui. Mas como escolher entre uma e outra? A dica que fica é uma só: experimentar. Grosso modo, podemos indicar a bebida envelhecida no Jequitibá para utilização na caipirinha – por seu caráter mais neutro. A Amburana e o Bálsamo têm seus sabores peculiares que valem a pena serem apreciados puros, ou até com gelo. A Amburana (ou Umburana, ou Cerejeira) costuma ser mais “adocicada”, menos amadeirada que o Bálsamo. Já este é muito comum na tradicionalíssima região de Salinas (M.G). O Carvalho, por sua vez, como é a madeira utilizada em outras bebidas alcoólicas, tem um sabor mais familiar, podendo agradar, por exemplo, àqueles que estão se iniciando na água que nem gato nem passarinho bebem. Mas, de novo, a maior dica de todas é: experimente!

  • EMBALAGEM: Está aí uma regra que não costuma valer nada na hora de comprar sua Cachaça. Como publicitário, sei como esta é uma parte que influencia o consumo, mas, no caso da Cachaça, faça força para deixar seu apuro estético de lado e tente não julguar uma Cachaça por sua embalagem. É verdade que produtos com bom acabamento e cuidado em sua apresentação também podem ser um indício de cuidado no fabrico. Mas a maior parte dos produtores de qualidade em atividade hoje ainda não se converteu ao “mundo do marketing”, e produzem excelentes Cachaças ornadas pelos mais improváveis e pouco atraentes rótulos. Alguns são belas exceções, mas não são regra. A Havana, tida como a Cachaça mais famosa e valorizada (embora haja outras que se igualem no salgado preço de R$300 a garrafa), é, por exemplo, envasada em garrafas de cerveja. Portanto, aquele ditado “as aparências enganam” é LEI na terra da caninha.

  • PREÇO: A dica é: desconfie das muito baratas e não ache que, para ser boa, ela precisa ser cara. Há excelentes Cachaças a R$15 a R$20 muito mais vantajosas do que marcas medianas de vodka, e outras, de R$35 a- R$40, por exemplo, que deixam muito whisky no chinelo.

  • REGIÕES: Salinas (M.G), Paraty (R.J) e o Sul do Brasil são regiões que têm se destacado na produção de Cachaças Artesanais de qualidade. Mas seria injustiça com as outras falar que apenas a Cachaça dali vale a pena ser provada. A Paraíba e a Bahia, só para dar um exemplo, são estados que se destacaram nos últimos rankings. O Brasil é um país muito grande, e a qualidade da Cachaça pode estar surgir dos locais mais inesperados. Vira e mexe pipocam excelentes Cachaças por aí. Vale a pena conhecer as peculiaridades das regiões historicamente famosas mas a regra final é: Se é do Brasil, é bom!

  • RANKINGS E GUIAS: Alguns rankings publicados periodicamente por algumas revistas, universidades e organizações do setor (todos publicados pelo MdC, veja aqui: ranking Vip, ranking Playboy, ranking Quissamã, ranking Unesp, ranking ExpoCachaça), podem ajudar muito a você escolher sua Cachaça. São rankings que levam em conta a opinião de pessoas que gostam e/ou entendem do assunto: bons indicativos para você descobrir boas Cachaças. Outro caminho muito útil é o conteúdo publicado diariamente aqui no Mapa da Cachaça. Veja, por exemplo as dicas do nosso Sommelier de Cachaças, da seção Cachaça e Cozinha, ou mesmo os comentários no Guia de Cachaças. E esteja sempre conectado nas novidades da “Bendita”!

Um abraço e até o próximo post!

Renato Figueiredo

Renato Figueiredo é autor do “De Marvada a Bendita” , livro que examina e conta todas as qualidades escondidas que fazem a Cachaça uma bebida de muito valor. Quinzenalmente às Quartas-Feiras, faz aqui no Mapa da Cachaça o MARKETING DA CACHAÇA, trazendo a tona assuntos que ajudem na valorização da "preciosa". Fale com ele: renato@mapadacachaca.com.br.

VII Concurso Paulista da Cachaça de Alambique

A Faculdade de Ciência Farmacêuticas da UNESP de Araraquara está organizando o VII Concurso Paulista da Cachaça de Alambique. Desde 2004, a instituição realiza o concurso para avaliar, valorizar, promover e divulgar a cachaça produzida no Estado de São Paulo. As análises sensoriais irão avaliar duas categorias do destilado:
  • cachaças envelhecidas
  • cachaças não envelhecidas
Entenda o que é cachaça envelhecida com o especialista, Leandro Batista:

Além da criação do ranking das cachaças paulistas, o evento irá promover o curso Produção e Controle de Qualidade da Cachaça. Os três primeiros colocados de cada categoria serão anunciados no dia 29 de outubro, antes do encerramento do curso.
ATENÇÃO: O concurso esse ano também estará aberto para a participação de cachaças de outros estados. 

Ranking do VII Concurso de Cachaça de Alambique da UNESP Araraquara

 

8 de novembro de 2011 | Categorias: Blog, Eventos | Por: Mapa da Cachaça
Foi realizado no dia 29 de outubro de 2011 no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Qualidade da Cachaça localizado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP/Araraquara o VI encontro da cadeia produtiva da cachaça e também a premiação do VII Concurso de Cachaça de Alambique.
O encontro contou com aproximadamente 60 produtores que puderam assistir diversas palestras. A professora doutora da UNESP/Jaboticabal, Marcia Muton ministrou a palestra sobre fermentação do caldo de cana. O professor doutor da ESALQ/USP Fernando Valadares ministrou a palestra sobre destilação de aguardente de cana de açúcar. O professor doutor da UNESP/Araraquara João Bosco Faria ministrou a palestra sobre envelhecimento de cachaça. A pesquisadora do departamento de Alimentos e Nutrição da UNESP/Araraquara Maria Cristina Meneghin ministrou a palestra sobre Boas Práticas de Fabricação. E o pesquisador Doutor Ricardo Bonotto apresentou o projeto de extensão com pequenos produtores de cachaça desenvolvido na UNESP/Araraquara. Além das atividades teóricas foi feita uma atividade prática dentro do engenho piloto no centro da cachaça, onde os produtores tiveram acesso ao processo de destilação da aguardente de cana de açúcar.
No final do dia foi feita a cerimônia de premiação do VII Concurso de Cachaça de Alambique, sendo os 3 primeiros colocados de cada categoria agraciados com um troféu e certificado de participação, além da disponibilização por parte do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP/Araraquara de um selo de qualidade a ser utilizado caso o produtor queira.
Produtores Premiados Concurso Cachaça de Alambique
Produtores premiados no VII Concurso Cachaça de Alambique
  • Na categoria Não Envelhecida as 10 primeiras colocadas foram:
1º lugar: Cachaça Lagoa
2º lugar: Cachaça Senhora
4º lugar: Cachaça Força Oculta
7º lugar: Cachaça Morano
8º lugar: Cachaça José Vieira
10º lugar: Cachaça Do Santo
  • Na categoria Envelhecida as 10 primeiras colocadas foram:
2º lugar: Cachaça Pequeno Engenho Tatajuba
3º lugar: Cachaça Sabor da Estância Carvalho Premium
4º lugar: Cachaça Lagoa Carvalho
6º lugar: Cachaça Nono Rouxinolli Carvalho
8º lugar: Cachaça Pequeno Engenho Carvalho
9º lugar: Cachaça Mazzaropi Umburana

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Percorremos os alambiques de Monte Alegre do Sul e Socorro e escolhemos os melhores. Leia sem moderação

os segredos da rota da cachaça paulista
Aryane Cararo - O Estado de S.Paulo
linkProduzir cachaça foi o modo que o artista plástico e arquiteto Edson Peres encontrou para diversificar as atividades da Fazenda Salmo XXIII e "beber uma bebida fina", como conta sua mulher, Mila, de 53 anos. A cachaça feita pela família fica guardada em tonel de carvalho escocês. "É quase um uísque de cana", diz Mila. Hoje, quem toca a produção de 2 mil litros anuais (garrafas a R$ 20 e R$ 30) é Ramsés, filho de Edson.
linkOnde fica: km 3 da estrada para Pinhalzinho, Monte Alegre do Sul; (0--19) 3899-1694
Barris exibem fotos tiradas desde 1932, quando a produção teve início nesta destilaria - José Patrício/AE
José Patrício/AE
Barris exibem fotos tiradas desde 1932, quando a produção teve início nesta destilaria

linkÉ no pequeno e rústico Sítio Santo Antônio que se produz a Cachaça Campanari, uma das mais antigas de Monte Alegre do Sul. A qualidade da bebida é reconhecida: foi premiada nos dois últimos concursos nacionais de cachaça promovidos pela USP (o Concurso de Qualidade da Cachaça, dentro do evento Brazilian Meeting on Chemistry of Food and Beverages). À frente da produção está Antonio Sérgio Campanari, o Neno, de 46 anos, neto do italiano Luigi Campari, que começou a destilar a caninha em 1932. A receita foi repassada para vários descendentes, que montaram outros alambiques. As fotos dessa saga estão nos barris de carvalho expostos na loja, que vende garrafas a partir de R$ 15.
linkOnde fica: Estrada de Monte Alegre do Sul, bairro dos Limas-Barra; (0--19) 3899-2583
linkPara quem acha que alambique tem de ter máquinas de cobre, roda d?água e muita história, o Chora Menina preenche todos os requisitos. Administrado por Rodrigo Borin, o lugar foi fundado por seu avô, em 1956, e ganhou esse nome porque eram as três filhas que pegavam no pesado para ajudar o patriarca italiano. Hoje, o local produz 7 mil litros por ano. Cada garrafa é vendida a R$ 13.
linkOnde fica: Chácara Santo Antonio, em Monte Alegre do Sul; (0--19) 3899-1061
linkTirolesa, trilhas e destilaria fazem parte das atrações do Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, em Socorro. Ali se produz a caninha Do Campo, que fica ao menos três anos descansando em barris de carvalho. Há também uma versão bidestilada: a pinga comprada de produtores da região é destilada pela segunda vez e ganha um sabor especial. O alambique produz até mil litros da bebida por mês - garrafas saem por a partir de R$ 10.
linkOnde fica: Estrada dos Sonhos, km 6; (0--19) 3895-3161
linkNo Cantinho da Ni, Dulce Daólio, de 54 anos, dá continuidade a uma tradição que começou com seu avô, o italiano Horácio, em 1918. Hoje, o alambique produz cerca de 500 litros da cachaça Dirceu Daólio por mês - que pode ser vendida pura ou misturada a mel, anis, jurubeba... Ou destilada com folha de mexerica (a cachaça azul). Cada garrafa sai por R$ 12.
linkOnde fica: Estrada do Bairro dos Alves, Monte Alegre do Sul; (0--19) 3899-1234 e 6168-1438
linkO alambique da Caribeña, em Socorro, impressiona. Em cinco salões estão barris de carvalho de 270 litros e tonéis gigantes, com até 15 mil litros. São 400 recipientes só de cachaça envelhecida por pelo menos oito anos. O profissionalismo e a infraestrutura são impecáveis. Mas não espere clima artesanal. Garrafas desde R$ 10.
linkOnde fica: Fazenda São José do Rio das Antas, Bairro dos Cardosos; (0--19) 6168-1438
linkPerto do centro de Monte Alegre do Sul, a Adega do Italiano é um dos alambiques mais conhecidos de Monte Alegre do Sul. Além de conferir a boa qualidade do destilado, aproveite para bater papo com José Narciso Salzani, de 51 anos, que construiu a adega de pedra há 27. Garrafas a partir de R$ 13.
linkOnde fica: Pousada da Fazenda, Rua Joaquim de Oliveira, s/nº; (0--19) 3899-2026

As cachaças premiadas

As cachaças premiadas
Já famosas pelo turismo oferecido, o Circuito das Águas Paulistas une os passeios já consagrados, como os de aventura, compras, histórico e de águas para dar espaço para os tradicionais alambiques da região.

Da orgânica à tradicional, as premiadas cachaças do Circuito despertam a atenção dos visitantes e ganham roteiro próprio.

A região detém duas das três melhores cachaças do Estado, segundo o Concurso Paulista de Cachaça de Alambique deste ano, que teve mais de 150 participantes. Segunda colocada no concurso, premiada na categoria cachaça não envelhecida, a cachaça da Adega do Italiano, em Monte Alegre do Sul, se destaca no Circuito. Em Monte Alegre do Sul outras cachaças, como a Cachaça Chora Menina, Cachaça Campanari e a Cachaça Rouxinoli também ganham cada vez mais expressão no mercado.

A cidade de Socorro ficou em terceiro lugar na categoria não envelhecida, com a cachaça Galo Branco. Além disso, o alambique da Pioneira chama a atenção com seu processo 100% orgânico, sendo o primeiro alambique de cachaça orgânica do Estado de São Paulo e o terceiro do país. Hoje, Socorro possui cerca de 34 alambiques, como o Caribeña, Diamante das Montanhas, Cachaça do Campo e o Cachaça Morete. A Caribeña é exportada há 2 anos para os Estados Unidos com o nome de Cuca Fresca. Este ano, participou de um concurso de bebidas destiladas e fabricadas no Brasil, o São Francisco Word Spirit. Concorrendo com mais 20 cachaças brasileiras a Caribeña (Cuca Fresca) conquistou medalha de ouro.

Já em Serra Negra, as cachaças Theodoro e Santo Remédio, produzidas na Fazenda Amábile, reúnem o processo original de fazer cachaça e tecnologia de equipamentos. O clima da cidade ajuda na boa qualidade da cana-de-açúcar, que acumula maior quantidades de açúcares em seu interior. Um diferencial dessas cachaças é que são armazenadas para descanso em tonéis de jequitibá rosa ou envelhecida em barris de carvalho. Já entre as produzidas pela Família Carra, destaque-se a do "Nono do Tijuco", elaborada em comemoração do centenário do nascimento de Juscelino Kubitschek. A produção foi solicitada por Antoninho Rapassi, presidente do Instituto Semana JK, em Americana.

Em Águas de Lindóia, um simpático senhor Ditinho, com seus mais de 74 anos, é o personagem central do Engenho do Barreiro, uma construção colonial do século XIX, que desperta a curiosidade dos visitantes. Lá, peças que poderiam estar em museus, contam um pouco da história da cidade e da fabricação da cachaça com a ajuda do sr. Ditinho. Feitas artesanalmente, as cachaças do Barreiro podem ser degustadas no próprio sítio e os turistas ainda vêem a cachaça azul, um dos três tipos de cachaças produzidos por lá.

Sucesso em Lindóia, o Engenho Cavalo de Tróia, além de alambique, faz produtos artesanais, como o fubá e, ainda, café torrado e moído na hora, suco de uva e o conhecido sorvete de queijo.

Na cidade de Jaguariúna o alambique que mais se destaca é o do Sítio Jequitibá, que faz a cachaça Jequiti, a primeira bidestilada do país. Um dos diferenciais do alambique é a produção em escala reduzida, com uma cachaça mais leve e suave.

A Adega Benedetti, em Amparo, fabrica a cachaça Flor da Montanha. A história da família Benedetti, como produtores, iniciou em 1929. A cachaça começou a ser produzida juntamente com o açúcar e, hoje, a bebida é uma das mais conhecidas em toda a região.

Já em Pedreira, o Sítio Repouso das Águias, que produz artesanalmente a cachaça, realiza degustação e faz brindes com as garrafas de cachaças, licores ou vinhos. A venda é feita na Feira Permanente de Artesanato, na Praça Coronel João Pedro, no centro da cidade.



Águas de Lindóia:

Engenho do Barreiro
Telefone: (19) 3824-3137
Avenida Aparecido Rodrigues da Rocha, 1.175, Bairro do Barreiro

Amparo
:
Adega Benedetti
Telefone: (19) 3807-4848
Rodovia Amparo / Serra Negra KM 138 - Bairro dos Almeidas

Jaguariúna:

Sítio Jequitibá
Telefone: (19) 3867-3491
Rodovia Jaguariúna / Pedreira, km 3

Lindóia:

Engenho Cavalo de Tróia
Telefone: (19) 3898-1278
Rodovia SP 360 - Serra Negra / Lindóia

Monte Alegre do Sul:

Adega do Italiano / Pousada da Fazenda
Telefone: (19) 3899-1204
Rua Joaquim de Oliveira, s/n°
Site: www.pousadadafazenda.com.br

Adega O Rancho
Telefone: (19) 3899-2802
Rodovia Nelson Taufic Nacif, s/n° (4 km do portal da cidade, sentido Pinhalzinho)

Pedreira:
Sítio Repouso das Águias
Telefone: (19) 3893-2139

Serra Negra:

Cachaça do Bimbo
Telefones: (19) 3892-1712 / (19) 3892-7112
Estrada do Bairro da Serra, Km 9

Sítio Bom Retiro (Família Carra)
Telefone: (19) 3892-3574
Rodovia SP 105, KM 9 - Estrada Serra Negra / Itapira

Fazenda Amábile / Big Valley Hotel Fazenda
Telefones: (19) 3892-2749 / 3892-2774 / 3892-5166
Rodovia SP 360 - Amparo/Serra Negra, Km 144
Site: www.bigvalley.com.br
 
Socorro:
Cachaça Caribeña
Telefones: (19) 3855-7676 / (19) 9178-8913
Fazenda São José do Rio das Antas, Estrada dos Cardosos, km 03

Alambique Pioneira
Telefone: (19) 3855-2647
Estrada Municipal Saturnino Rodrigues de Moraes, km 4,5
Cachaça Galo Branco
Telefone: (19) 3895-7338
Estrada Municipal Bairro das Lavras de Cima


Por que ir?

Fundada pelos imigrantes italianos em fins do século 19, Monte Alegre do Sul guarda muitas heranças de seus primeiros moradores. Uma delas é o casario, que remete às charmosas vilas européias. Outra - bastante conhecida - é a produção de vinhos, licores e cachaças.

Casario: Construções remetem ao período colonial
Foto: Thita
Fazenda Salmo XXIII vende pinga envelhecida e bagaceira, um destilado feito do bagaço da uva
Nem só dos legados do passado, porém, vive a cidadezinha tranquila e escondida na Serra da Mantiqueira, a mais de mil metros de altitude, com ruas estreitas e pracinha. A natureza intocada é repleta de riozinhos, cachoeiras e paisagens que convidam à prática de esportes de aventura. No caminho para o distrito de Mostardas há belas quedas, além de trechos do rio Camanducaia perfeitos para a prática de rafting. A região é cenário ainda para atividades como cascading, rapel, arvorismo e tirolesa.

Também nos arredores estão os alambiques, instalados em propriedades familiares. Licores, cachaça e vinho artesanal são produzidos mantendo as tradições passadas de pai para filho. Na Fazenda Salmo XXIII, uma das mais antigas, há venda de pinga envelhecida em tonel de carvalho escocês, licor e bagaceira, um destilado feito do bagaço da uva. Já no pequeno e rústico Sítio Santo Antônio é produzida a cachaça Campanari, uma das mais antigas de Monte Alegre do Sul e vencedora de concursos nacionais.

O tour da cana leva ainda à Chácara Santo Antônio, onde o alambique Chora Menina ainda preserva máquinas de cobre, roda d'água e muitas histórias. No Cantinho da Ni, a cachaça é vendida pura ou misturada a mel, anis, jurubeba... Ou destilada com folha de mexerica (a cachaça azul). Bons produtos são encontrados ainda na Associação dos Produtores de Cachaça, no Centro.

Quem abusar nas degustações da purinha merece curar a ressaca no Balneário Municipal, um dos mais modernos do Circuito das Águas Paulista. Em estilo colonial, oferece saunas úmida e a vapor, duchas escocesa e circular e banheiras para banhos de imersão e de espuma.

Cachaça, pinga, aguardente de cana… Você é um pingófilo?

A maioria das pessoas, quando pensa em cachaça, pensa num destilado forte, que desce queimando, de gosto ruim e que só serve para caipirinhas. Não podemos culpá-las. Boa parte das cachaças populares fazem jus à fama.
Mas isto está mudando e hoje há cachaças boas e acessíveis, cujas características são o contrário das supracitadas, dignas dos mais apurados paladares.
Começarei este texto com uma confissão: já compartilhei da idéia de que a cachaça é um destilado ruim, indigno da minha adega, das boas baladas e das mesas de restaurantes. E tal equívoco se deu devido à minha primeira experiência com essa bebida: há alguns anos, eu e alguns amigos, universitários, de férias, entediados e sem nada na cabeça, decidimos que para matar o tédio nada melhor que um bar ou algo do gênero. Fomos ao supermercado (os bares estavam vazios, depressivos) e compramos uma garrafa de Seleta, uma de Caninha 29 e duas barras de chocolate (diziam que ajudava a descer).
Tomamos as duas cachaças, horríveis, desceram mal, causaram ânsia de vômito rapidamente. Fui dormir praticamente inconsciente na casa de um amigo que tem uma irmã linda, e mandei extremamente mal na frente dela, bêbado e com aquele bafo característico de quem toma um porre de cachaça ruim.
Com uma experiência dessas, difícil gostar de aguardente.
Mudei de opinião quando, tendo certo acesso ao mundo do agronegócio, tive a oportunidade de conhecer uma fazenda onde se produz cachaça de qualidade. Lá acompanhei o processo de fabricação e tomei cachaças brancas, envelhecidas, armazenadas, blends. Elas desceram suaves, sem queimar, com gosto e cheiro agradáveis. Destilados diferenciados. Realmente saborosos.
Então como conseguem fazer cachaças tão diferentes? São muitos os motivos. Vejamos.

A produção da mais brasileira das bebidas

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Trabalho não recomendado para homens em depressão
A cachaça é produzida a partir da cana-de-açúcar (tá, conte o que não sabemos). Esta é cortada e posta numa moenda, onde se extrai o caldo. Dependendo da região, o Brix (teor de açúcar) do caldo é muito alto, e deve ser corrigido com a adição de água. Este caldo entra no processo de fermentação (mosto), quando as leveduras transformam o açúcar em álcool. Neste processo é recomendada a assepsia do local, visto que algumas bactérias podem interferir na qualidade do mosto. Quando o mosto chega a 0 Brix, vai para a destilação.
A destilação das cachaças artesanais ocorre geralmente em alambiques de cobre, mas também pode ser feita em alambiques de inox. O composto resultante da destilação pode ser dividido em três frações: a cabeça, o coração e a cauda. A cabeça e a cauda, primeira e última partes da destilação, possuem componentes tóxicos, e não devem ser consumidas. O coração é a parte nobre da destilação, e (em tese) a parte que deveria ser enviada para armazenamento.
As cachaças brancas devem ser armazenadas em tonéis de inox para descanso por 4 meses (repare que não é envelhecimento). As cachaças amarelas podem ser armazenadas ou envelhecidas. A armazenada é aquela que fica numa dorna de madeira por menos de 5 anos, enquanto a envelhecida é a que fica numa dorna de madeira de no máximo 700L por 5 anos ou mais.

Curiosidades sobre a produção

As pingas brancas que não nos agradam são, muitas vezes, resultado do processo de redestilação. Os donos dessas fábricas compram o resto da produção da região (muitas vezes com a fração cabeça) e redestilam.
As amarelas que não nos agradam, muitas vezes não são nem envelhecidas, nem armazenadas. Há formas de se conseguir cor e até aroma por meio de uma mistura com serragem de madeiras de envelhecimento (carvalho ou castanheira, por exemplo). O carvão de madeiras de envelhecimento também é utilizado com esse fim. Há outras formas que transformam uma cachaça branca numa amarela (sem qualidade) em questão de horas.

Dicas e recomendações para você escolher uma cachaça

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Foto da dispensa de um pingófilo leitor PdH
Quando vamos escolher um bom vinho para nossa adega ou em outra ocasião qualquer, levamos uma série de fatores em consideração: o local de origem, a uva, a idade etc. Excelente! Facilita na hora da escolha. Os produtores de cachaças ainda não alcançaram tal grau de profissionalismo, embora já há produtores querendo aumentar a qualidade a seus produtos. Esta organização começou a ser implementada, mas ainda é praticamente inexistente. Então se deve tomar alguns cuidados na escolha da pinga:
• Se você só tem acesso à garrafa, sem poder fazer qualquer outro tipo de análise, são poucos os critérios que poderá avaliar. Bom, lembre-se que nem sempre um belo rótulo garante um belo produto. Uma análise que pode ser feita apenas com a garrafa é a da sujidade: se encontrar qualquer sujeira, descarte a marca (sim, algumas são “porcas”).
• Algumas regiões produtoras de cachaça são muito famosas, como Paraty (RJ) e Salinas (MG). Mas repare que ser pertencente a uma dessas regiões não garante qualidade à pinga. Então não se apegue muito a esse critério.
• Se você tiver acesso ao conteúdo da garrafa, repare que as boas pingas não têm gosto adstringente (como o de banana verde) e não descem queimando. As boas pingas brancas têm o aroma que remete à cana, e as envelhecidas (ou armazenadas) aroma que remete à madeira de armazenamento. As cachaças envelhecidas em carvalho ou castanheira, por exemplo, têm aroma que lembra baunilha, entre outras coisas.
• Se a cachaça for folclórica, entenda que você terá um presente bastante inusitado (“Amansa Corno”, “Amansa Sogra” e “Cura Viado” são alguns nomes de pingas folclóricas), mas não terá necessariamente uma pinga de qualidade.

Algumas boas pingas

Há algumas boas cachaças brancas no mercado. Algumas até no supermercado! Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, é uma cidade famosa pelas cachaças que produz. Uma pinga muito famosa dessa região é a Coqueiro. Ao experimentá-la você logo notará gosto e aroma diferenciados. Há quem diga que essa é a melhor cachaça do Brasil. Participei de uma degustação em que ela ficou em primeiro lugar (entre seis).
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Anísio Santiago, antiga Havana
Existe um renomado cachaçólogo que diz que a única bebida que pode ser chamada cachaça é a cachaça branca. Eu discordo (muita pretensão a minha?). As cachaças envelhecidas são… Cachaças envelhecidas, uai! Bom, em Minas Gerais são fabricadas excelentes cachaças envelhecidas. A mais famosa delas é a Anísio Santiago, antiga Havana (dizem que o governo cubano os obrigou a trocar o nome, não sei se é verídico). É envelhecida em dornas de bálsamo. Ela é muito famosa por ser considerada a melhor do mundo e pois você pode encontrá-la por inacreditáveis R$ 200,00 por aí. Dizem que ela perdeu um pouco da qualidade. Infelizmente só tive a oportunidade de experimentar as mais novas, ainda assim muito gostosas.
Outra cachaça amarela que recomendo é a Carvalheira, pernambucana, envelhecida em carvalho (como o nome já diz). Ao cheirá-la você consegue identificar o aroma da baunilha e já prever o gosto. Realmente saborosa.
Há muitas outras boas pingas, mas paro por aqui. Espero ter ajudado a entender um pouco dessa maravilhosa bebida. E que tenhamos novos pingófilos e cachaçólogos depois deste texto!
E você? Qual sua cachaça preferida?
Igor Martins

Igor Martins é estudante de administração, acredita ter descoberto cedo como a vida é boa. Gosta da cidade, do campo, da praia e de todo lugar. Quer se aperfeiçoar em todas as áreas da vida... Ele acha possível. Será?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Envelhecendo a cachaça

A cachaça, assim como o whisky, o rum e o conhaque, para adquirir propriedades sensoriais de aroma e paladar específicos, pode passar por um processo de envelhecimento.

A quantidade de cachaça contida dentro de um  tonel, tem relação direta com a área de contato da madeira com a bebida,  influenciando no seu envelhecimento. A eficiência com que a madeira estiver trocando compostos e reações com a bebida  resultará no padrão do produto; ou seja o rótulo de uma cachaça envelhecida 1 ano num barril de 600 litros  será o mesmo que uma bebida envelhecida 1 ano num tonel de 30 mil litros, mas o paladar será outro.

Para aprovar o envelhecimento de uma bebida, o ministério da Agricultura  aceita volumes em barris de até 700 litros. A cachaça envelhecida pode manter a coloração branca, dependendo da madeira onde envelhece, como é o caso do jequitibá e o amendoim. Já a amarela ganha este tom justamente por ter descansado e envelhecido em madeira que tinge a bebida.

Toda boa cachaça tem que passar por um período mínimo descansando, ou pode ser envelhecida  para adquirir paladar e aroma característicos.

Uma cachaça é considerada envelhecida se permaneceu por pelo menos 1 ano acomodada em barris de madeira, com capacidade de até 600 litros. Minas Gerais, maior produtor de cachaça artesanal do país,  leva tão a sério o negócio da cachaça, que o governo estadual legislou sobre a matéria aprovando em 11 de julho de 2001, lei que garante aos consumidores e obriga os produtores a identificar o padrão de envelhecimento da cachaça.

Para o produtor mineiro o período de envelhecimento deve variar de 6 a 18 meses, devendo após este período ser classificada em 4 padrões. Segundo o site oficial do PBDAC, a cachaça mineira é classificada como cachaça nova, cachaça envelhecida, cachaça amaciada e reserva especial.

MADEIRAS APROPRIADAS PARA ENVELHECIMENTO DE CACHAÇA.

CARVALHO

Madeira nobre que encorpa a cachaça e lhe dá um cor inconfundível.
Designação comum a várias árvores ornamentais da família das fagáceas, gênero Quercus, de rápido crescimento, que preferem lugares frescos, ou margens de rios e lagoas, e fornecem madeira pardacenta, dura, usada na construção em geral.
Madeira de qualquer dessas árvores.
Carvalho Brasileiro – Da Bahia até Santa Catarina. Carne-de-vaca.

AMBURANA

Diminui o teor alcoólico da Cachaça, que fica mais suave. Árvore regular, da família das leguminosas (Torresea cearensis), de casca grossa, suberosa, gordurosa e aromática, tida por medicinal, flores alvas ou amarelo-pálidas, pequenas e aromáticas, e cujo fruto é vagem achatada e escura, contendo uma semente alada e rugosa.

ANGELIM-ARAROBA

Dá uma cor graciosa a bebida e paladar inconfundível. Árvore da família das leguminosas, subfamília papilionácea (Vataireopsis araroba), de flores róseas e madeira útil, e cuja casca, triturada, se usa contra doenças da pele. Ocorre da Bahia até o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

BÁLSAMO

Bebida bem amarela, de gosto forte. Cabriúva-do-campo. Do tupi kabureiwa, árvore do caburé. Árvore da família das leguminosas (Myrocarpus frondosus), da floresta atlântica, de folhas com cinco a nove folíolos oblongos, aluminados e muito finos, flores verdes-amareladas, actinomorfas, dispostas em racemos, e cujos frutos são sâmaras elípticas e monospermas. A madeira, pardo-escuro com tons avermelhados, aromática, pesada e resistente, é utilizada em construções em geral.

CEREJEIRA

Confere a  cachaça corpo e tom forte. Designação comum a diversas árvores e arbustos da família das rosáceas, gênero Prunus. Particularmente as espécies Prunus avium e Prunus cerasus, a primeira das quais é uma árvore de casca lisa e cinzenta, flores alvas, frutos pequenos, doces e polposos, vermelhos ou quase pretos, e madeira branco-avermelhada, dura e pesada, usada em marcenaria de luxo, instrumentos musicais, objetos de arte, etc.Cereja-galega, cereja-dos-passarinhos, cerejeira-da-europa; e a segunda um arbusto que atinge 8 (oito) metros de altura, cuja casca e flores têm as mesmas características das da espécie anterior, apresentando o fruto e a madeira, porém, diferença na cor, respectivamente amarelada e avermelhada.

GARAPA

Árvore ornamental, da família das leguminosas (Apuleia praecox), de folhas imparipenadas, compostas de folíolos alternos, coriáceos de cor avermelhada, flores alvas ou esverdeadas, dispostas em cimeiras axilares, e cujo fruto é vagem ovóide, monosperma eindeiscente. Fornece madeira de lei de cerne amarelado e ondeado. Amarelinha, Ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul e MatoGrosso.

JATOBÁ

Uma ótima madeira para armazenar cachaça. Árvore da família das leguminosas (Copaifera trichiofficinalis), de folhas penadas, flores minutase ordenadas em cachos, e cujo fruto é um legume pequeno e monospermo. O tronco produz um óleo tido pelo povo como medicinal.

JEQUITIBÁ /JEQUITIBÁ –ROSA

Uma das mais utilizada para envelhecimento. Designação comum a duas árvores de tronco muito grosso e alto, da família das lecitidáceas (Cariniana estrillensis e C. legalis), também chamadas, respectivamente, Jequitibá-Vermelho e Jequitibá- Branco, de folhas coriáceas, oblongas e acuminadas, flores
pequeninas, alvas e paniculadas, e cujos frutos são cápsulas que contém sementes aladas e se abrem por fenda circular, sendo a madeira, róseo-acastanhada ou bege-rosada, hoje muito usada em carpintaria. Ocorrem do nordeste ao sul do país.Jequitibá-rosa  não alterara a cor original.

IPÊ/IPÊ AMARELO

Designação comum às árvores do gênero Tabebuia (antes, Tecoma), da família das bignoniáceas, de que há dois tipos: a de flor amarela e a de flor violácea. Muito ornamentais pela floração belíssima, são dotadas de lenho muitíssimo resistente à putrefação. O Ipê é considerado árvore nacional.. Garante uma Cachaça que desce macio e um tom alaranjado.

PEROBA

Designação comum a muitas árvores das famílias das apocináceas e das bignoniáceas que têm madeiras de boa qualidade, sobretudo a peroba-de-campos e a peroba-rosa. Peroba-Amarela. Peroba-Amargosa. Peroba-de-Campos (Paratecoma Peroba). Norte do Espírito Santo e centro da Bahia. Peroba-Rosa (Aspidosperma polyneuron).

Revista do futuro (www.revistadofuturo.com.br)

Polo produtor de cachaça em São Paulo quer colocar o produto na rota dos turistas

Bebida é a segunda na preferência do brasileiro, atrás apenas da cerveja
Raphael Salomão | São Paulo (SP)

O primeiro registro de fabricação de cachaça no Brasil data de 1536. Atualmente, são cerca de 30 mil empresas que produzem mais de cinco mil marcas. A bebida é a segunda na preferência do brasileiro, atrás apenas da cerveja. E, no Estado de São Paulo, um importante polo produtor quer colocar o produto ainda mais no caminho dos turistas.

No Estado de São Paulo, o principal polo produtor é o chamado Circuito Das Águas. Na região se produz cachaça desde 1905, com um volume de 900 mil litros por ano. Parte sai de Monte Alegre do Sul. O município tem cerca de 7 mil habitantes e quase 50 alambiques, pequenos e artesanais. Alguns são filiados à Associação dos Produtores de Cachaça de Monte Alegre do Sul e Região - APROCAMAS. A entidade existe desde 2003 para dar suporte às cachaçarias..

Um roteiro para que os turistas possam conhecer essas áreas de produção no Circuito das Águas está sendo preparado em parceria da Associação dos Produtores com as prefeituras dos municípios que integram o polo turístico. O novo roteiro deve começar em agosto.

Monte Alegre do Sul

Texto: Leandro Amaral / Fotos: Divulgação
Monte Alegre do Sul




















Uma cidade pequena e muito pacata. Monte Alegre do Sul tem diversos alambiques e adegas de cachaças e vinhos artesanais. Porém, não é só de bebida que vive a cidade. Monte Alegre oferece opções de lazer, como a visita à  cachoeira do Falcão, ideal para quem gosta de estar em contato com a natureza. Há, ainda, a Fonte Girardelli e o balneário, em estilo neocolonial, recentemente reformado, que proporciona diversos tratamentos hidroterápicos. Próximo ao balneário, a Fonte Bom Jesus tem propriedades medicinais e sua água é indicada para diversos tratamentos. Mais afastada do centro, a Fonte da Índia é o cartão postal da cidade.

As casas antigas, que datam do século XIX, estão bem tratadas e coloridas. Um verdadeiro cartão postal, que também possui uma amostra da arquitetura neoclássica e neocolonial do Circuito das Águas Paulista. O Santuário do Senhor do Bom Jesus, Morro do Cristo, Pontilhão da Mogiana, Fonte Girardelli e a Estação Experimental são outras opções de passeio que Monte Alegre oferece.

O mês de julho remete a uma das frutas mais apreciadas no país, o morango. Em várias regiões do Estado a festa da fruta é destaque nesse período. O Circuito das Águas Paulista não poderia ficar de fora. Hoje, possui a mais conhecida Festa do Morango da região, organizada na cidade de Monte Alegre do Sul, criada em 1994, com o objetivo de fomentar a produção do morango. O sucesso foi tanto, que a organização do evento foi obrigada a repetir a festa nos anos seguintes. Hoje, é o maior evento desse tema na região e o mais visitado.

O acesso a Monte Alegre do Sul pode ser feito pelas vias Fernão Dias, Anhanguera, Bandeirantes e D. Pedro. Alinha-se entre grandes montes, esses integrantes das serras do Lambedos e Caraguatá, belas ramificações da Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são, literalmente, acidentados.

O Município possui, aproximadamente, 6 mil habitantes, em sua maioria descendentes de italianos. Do número local de habitantes, 2 mil residem na zona urbana e 4 mil na zona rural. A população fixa acrescida da população flutuante chega à 12 mil pessoas.

Para onde quer que se olhe, podem-se admirar montanhas verdejantes com sua rica fauna e flora e de vez em quando curtir o vôo de garças e tucanos.

Região é conhecida pelas cachaças
Da orgânica à tradicional, as premiadas cachaças do circuito despertam a atenção dos visitantes e ganham roteiro próprio.

A região detém duas das três melhores cachaças do Estado, segundo o Concurso Paulista de Cachaça de Alambique deste ano, que teve mais de 150 participantes. Segunda colocada no concurso, premiada na categoria cachaça não envelhecida, a cachaça da Adega do Italiano, em Monte Alegre do Sul, se destaca no Circuito. Em Monte Alegre do Sul outras cachaças, como a Cachaça Chora Menina, Cachaça Campanari e a Cachaça Rouxinol também ganham cada vez mais expressão no mercado.

 A cidade de Socorro ficou em terceiro lugar na categoria não envelhecida, com a cachaça Galo Branco. Além disso, o alambique da Pioneira chama a atenção com seu processo 100% orgânico, sendo o primeiro alambique de cachaça orgânica do Estado de São Paulo e o terceiro do país. Hoje, Socorro possui cerca de 34 alambiques, como o Caribeña, Diamante das Montanhas, Cachaça do Campo e o Cachaça Morete. A Caribeña é exportada há 2 anos para os Estados Unidos com o nome de Cuca Fresca. Este ano, participou de um concurso de bebidas destiladas e fabricadas no Brasil, o São Francisco Word Spirit. Concorrendo com mais 20 cachaças brasileiras a Caribeña (Cuca Fresca) conquistou medalha de ouro.

Já em Serra Negra, as cachaças Theodoro e Santo Remédio, produzidas na Fazenda Amábile, reúnem o processo original de fazer cachaça e tecnologia de equipamentos. O clima da cidade ajuda na boa qualidade da cana-de-açúcar, que acumula maior quantidades de açúcares em seu interior. Um diferencial dessas cachaças é que são armazenadas para descanso em tonéis de jequitibá rosa ou envelhecida em barris de carvalho. Já entre as produzidas pela Família Carra, destaque-se a do “Nono do Tijuco”, elaborada em comemoração do centenário do nascimento de Juscelino Kubitschek. A produção foi solicitada por Antoninho Rapassi, presidente do Instituto Semana JK, em Americana.

Em Águas de Lindóia, um simpático senhor Ditinho, com seus mais de 74 anos, é o personagem central do Engenho do Barreiro, uma construção colonial do século XIX, que desperta a curiosidade dos visitantes. Lá, peças que poderiam estar em museus, contam um pouco da história da cidade e da fabricação da cachaça com a ajuda do sr. Ditinho. Feitas artesanalmente, as cachaças do Barreiro podem ser degustadas no próprio sítio e os turistas ainda vêem a cachaça azul, um dos três tipos de cachaças produzidos por lá.

Sucesso em Lindóia, o Engenho Cavalo de Tróia, além de alambique, faz produtos artesanais, como o fubá e, ainda, café torrado e moído na hora, suco de uva e o conhecido sorvete de queijo.

Na cidade de Jaguariúna o alambique que mais se destaca é o do Sítio Jequitibá, que faz a cachaça Jequiti, a primeira bidestilada do país. Um dos diferenciais do alambique é a produção em  escala reduzida, com uma cachaça mais leve e suave.

A Adega Benedetti, em Amparo, fabrica a cachaça Flor da Montanha. A história da família Benedetti, como produtores, iniciou em 1929. A cachaça começou a ser produzida juntamente com o açúcar e, hoje, a bebida é uma das mais conhecidas em toda a região.