sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cachaça, pinga, aguardente de cana… Você é um pingófilo?

A maioria das pessoas, quando pensa em cachaça, pensa num destilado forte, que desce queimando, de gosto ruim e que só serve para caipirinhas. Não podemos culpá-las. Boa parte das cachaças populares fazem jus à fama.
Mas isto está mudando e hoje há cachaças boas e acessíveis, cujas características são o contrário das supracitadas, dignas dos mais apurados paladares.
Começarei este texto com uma confissão: já compartilhei da idéia de que a cachaça é um destilado ruim, indigno da minha adega, das boas baladas e das mesas de restaurantes. E tal equívoco se deu devido à minha primeira experiência com essa bebida: há alguns anos, eu e alguns amigos, universitários, de férias, entediados e sem nada na cabeça, decidimos que para matar o tédio nada melhor que um bar ou algo do gênero. Fomos ao supermercado (os bares estavam vazios, depressivos) e compramos uma garrafa de Seleta, uma de Caninha 29 e duas barras de chocolate (diziam que ajudava a descer).
Tomamos as duas cachaças, horríveis, desceram mal, causaram ânsia de vômito rapidamente. Fui dormir praticamente inconsciente na casa de um amigo que tem uma irmã linda, e mandei extremamente mal na frente dela, bêbado e com aquele bafo característico de quem toma um porre de cachaça ruim.
Com uma experiência dessas, difícil gostar de aguardente.
Mudei de opinião quando, tendo certo acesso ao mundo do agronegócio, tive a oportunidade de conhecer uma fazenda onde se produz cachaça de qualidade. Lá acompanhei o processo de fabricação e tomei cachaças brancas, envelhecidas, armazenadas, blends. Elas desceram suaves, sem queimar, com gosto e cheiro agradáveis. Destilados diferenciados. Realmente saborosos.
Então como conseguem fazer cachaças tão diferentes? São muitos os motivos. Vejamos.

A produção da mais brasileira das bebidas

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Trabalho não recomendado para homens em depressão
A cachaça é produzida a partir da cana-de-açúcar (tá, conte o que não sabemos). Esta é cortada e posta numa moenda, onde se extrai o caldo. Dependendo da região, o Brix (teor de açúcar) do caldo é muito alto, e deve ser corrigido com a adição de água. Este caldo entra no processo de fermentação (mosto), quando as leveduras transformam o açúcar em álcool. Neste processo é recomendada a assepsia do local, visto que algumas bactérias podem interferir na qualidade do mosto. Quando o mosto chega a 0 Brix, vai para a destilação.
A destilação das cachaças artesanais ocorre geralmente em alambiques de cobre, mas também pode ser feita em alambiques de inox. O composto resultante da destilação pode ser dividido em três frações: a cabeça, o coração e a cauda. A cabeça e a cauda, primeira e última partes da destilação, possuem componentes tóxicos, e não devem ser consumidas. O coração é a parte nobre da destilação, e (em tese) a parte que deveria ser enviada para armazenamento.
As cachaças brancas devem ser armazenadas em tonéis de inox para descanso por 4 meses (repare que não é envelhecimento). As cachaças amarelas podem ser armazenadas ou envelhecidas. A armazenada é aquela que fica numa dorna de madeira por menos de 5 anos, enquanto a envelhecida é a que fica numa dorna de madeira de no máximo 700L por 5 anos ou mais.

Curiosidades sobre a produção

As pingas brancas que não nos agradam são, muitas vezes, resultado do processo de redestilação. Os donos dessas fábricas compram o resto da produção da região (muitas vezes com a fração cabeça) e redestilam.
As amarelas que não nos agradam, muitas vezes não são nem envelhecidas, nem armazenadas. Há formas de se conseguir cor e até aroma por meio de uma mistura com serragem de madeiras de envelhecimento (carvalho ou castanheira, por exemplo). O carvão de madeiras de envelhecimento também é utilizado com esse fim. Há outras formas que transformam uma cachaça branca numa amarela (sem qualidade) em questão de horas.

Dicas e recomendações para você escolher uma cachaça

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Foto da dispensa de um pingófilo leitor PdH
Quando vamos escolher um bom vinho para nossa adega ou em outra ocasião qualquer, levamos uma série de fatores em consideração: o local de origem, a uva, a idade etc. Excelente! Facilita na hora da escolha. Os produtores de cachaças ainda não alcançaram tal grau de profissionalismo, embora já há produtores querendo aumentar a qualidade a seus produtos. Esta organização começou a ser implementada, mas ainda é praticamente inexistente. Então se deve tomar alguns cuidados na escolha da pinga:
• Se você só tem acesso à garrafa, sem poder fazer qualquer outro tipo de análise, são poucos os critérios que poderá avaliar. Bom, lembre-se que nem sempre um belo rótulo garante um belo produto. Uma análise que pode ser feita apenas com a garrafa é a da sujidade: se encontrar qualquer sujeira, descarte a marca (sim, algumas são “porcas”).
• Algumas regiões produtoras de cachaça são muito famosas, como Paraty (RJ) e Salinas (MG). Mas repare que ser pertencente a uma dessas regiões não garante qualidade à pinga. Então não se apegue muito a esse critério.
• Se você tiver acesso ao conteúdo da garrafa, repare que as boas pingas não têm gosto adstringente (como o de banana verde) e não descem queimando. As boas pingas brancas têm o aroma que remete à cana, e as envelhecidas (ou armazenadas) aroma que remete à madeira de armazenamento. As cachaças envelhecidas em carvalho ou castanheira, por exemplo, têm aroma que lembra baunilha, entre outras coisas.
• Se a cachaça for folclórica, entenda que você terá um presente bastante inusitado (“Amansa Corno”, “Amansa Sogra” e “Cura Viado” são alguns nomes de pingas folclóricas), mas não terá necessariamente uma pinga de qualidade.

Algumas boas pingas

Há algumas boas cachaças brancas no mercado. Algumas até no supermercado! Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, é uma cidade famosa pelas cachaças que produz. Uma pinga muito famosa dessa região é a Coqueiro. Ao experimentá-la você logo notará gosto e aroma diferenciados. Há quem diga que essa é a melhor cachaça do Brasil. Participei de uma degustação em que ela ficou em primeiro lugar (entre seis).
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Anísio Santiago, antiga Havana
Existe um renomado cachaçólogo que diz que a única bebida que pode ser chamada cachaça é a cachaça branca. Eu discordo (muita pretensão a minha?). As cachaças envelhecidas são… Cachaças envelhecidas, uai! Bom, em Minas Gerais são fabricadas excelentes cachaças envelhecidas. A mais famosa delas é a Anísio Santiago, antiga Havana (dizem que o governo cubano os obrigou a trocar o nome, não sei se é verídico). É envelhecida em dornas de bálsamo. Ela é muito famosa por ser considerada a melhor do mundo e pois você pode encontrá-la por inacreditáveis R$ 200,00 por aí. Dizem que ela perdeu um pouco da qualidade. Infelizmente só tive a oportunidade de experimentar as mais novas, ainda assim muito gostosas.
Outra cachaça amarela que recomendo é a Carvalheira, pernambucana, envelhecida em carvalho (como o nome já diz). Ao cheirá-la você consegue identificar o aroma da baunilha e já prever o gosto. Realmente saborosa.
Há muitas outras boas pingas, mas paro por aqui. Espero ter ajudado a entender um pouco dessa maravilhosa bebida. E que tenhamos novos pingófilos e cachaçólogos depois deste texto!
E você? Qual sua cachaça preferida?
Igor Martins

Igor Martins é estudante de administração, acredita ter descoberto cedo como a vida é boa. Gosta da cidade, do campo, da praia e de todo lugar. Quer se aperfeiçoar em todas as áreas da vida... Ele acha possível. Será?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Envelhecendo a cachaça

A cachaça, assim como o whisky, o rum e o conhaque, para adquirir propriedades sensoriais de aroma e paladar específicos, pode passar por um processo de envelhecimento.

A quantidade de cachaça contida dentro de um  tonel, tem relação direta com a área de contato da madeira com a bebida,  influenciando no seu envelhecimento. A eficiência com que a madeira estiver trocando compostos e reações com a bebida  resultará no padrão do produto; ou seja o rótulo de uma cachaça envelhecida 1 ano num barril de 600 litros  será o mesmo que uma bebida envelhecida 1 ano num tonel de 30 mil litros, mas o paladar será outro.

Para aprovar o envelhecimento de uma bebida, o ministério da Agricultura  aceita volumes em barris de até 700 litros. A cachaça envelhecida pode manter a coloração branca, dependendo da madeira onde envelhece, como é o caso do jequitibá e o amendoim. Já a amarela ganha este tom justamente por ter descansado e envelhecido em madeira que tinge a bebida.

Toda boa cachaça tem que passar por um período mínimo descansando, ou pode ser envelhecida  para adquirir paladar e aroma característicos.

Uma cachaça é considerada envelhecida se permaneceu por pelo menos 1 ano acomodada em barris de madeira, com capacidade de até 600 litros. Minas Gerais, maior produtor de cachaça artesanal do país,  leva tão a sério o negócio da cachaça, que o governo estadual legislou sobre a matéria aprovando em 11 de julho de 2001, lei que garante aos consumidores e obriga os produtores a identificar o padrão de envelhecimento da cachaça.

Para o produtor mineiro o período de envelhecimento deve variar de 6 a 18 meses, devendo após este período ser classificada em 4 padrões. Segundo o site oficial do PBDAC, a cachaça mineira é classificada como cachaça nova, cachaça envelhecida, cachaça amaciada e reserva especial.

MADEIRAS APROPRIADAS PARA ENVELHECIMENTO DE CACHAÇA.

CARVALHO

Madeira nobre que encorpa a cachaça e lhe dá um cor inconfundível.
Designação comum a várias árvores ornamentais da família das fagáceas, gênero Quercus, de rápido crescimento, que preferem lugares frescos, ou margens de rios e lagoas, e fornecem madeira pardacenta, dura, usada na construção em geral.
Madeira de qualquer dessas árvores.
Carvalho Brasileiro – Da Bahia até Santa Catarina. Carne-de-vaca.

AMBURANA

Diminui o teor alcoólico da Cachaça, que fica mais suave. Árvore regular, da família das leguminosas (Torresea cearensis), de casca grossa, suberosa, gordurosa e aromática, tida por medicinal, flores alvas ou amarelo-pálidas, pequenas e aromáticas, e cujo fruto é vagem achatada e escura, contendo uma semente alada e rugosa.

ANGELIM-ARAROBA

Dá uma cor graciosa a bebida e paladar inconfundível. Árvore da família das leguminosas, subfamília papilionácea (Vataireopsis araroba), de flores róseas e madeira útil, e cuja casca, triturada, se usa contra doenças da pele. Ocorre da Bahia até o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

BÁLSAMO

Bebida bem amarela, de gosto forte. Cabriúva-do-campo. Do tupi kabureiwa, árvore do caburé. Árvore da família das leguminosas (Myrocarpus frondosus), da floresta atlântica, de folhas com cinco a nove folíolos oblongos, aluminados e muito finos, flores verdes-amareladas, actinomorfas, dispostas em racemos, e cujos frutos são sâmaras elípticas e monospermas. A madeira, pardo-escuro com tons avermelhados, aromática, pesada e resistente, é utilizada em construções em geral.

CEREJEIRA

Confere a  cachaça corpo e tom forte. Designação comum a diversas árvores e arbustos da família das rosáceas, gênero Prunus. Particularmente as espécies Prunus avium e Prunus cerasus, a primeira das quais é uma árvore de casca lisa e cinzenta, flores alvas, frutos pequenos, doces e polposos, vermelhos ou quase pretos, e madeira branco-avermelhada, dura e pesada, usada em marcenaria de luxo, instrumentos musicais, objetos de arte, etc.Cereja-galega, cereja-dos-passarinhos, cerejeira-da-europa; e a segunda um arbusto que atinge 8 (oito) metros de altura, cuja casca e flores têm as mesmas características das da espécie anterior, apresentando o fruto e a madeira, porém, diferença na cor, respectivamente amarelada e avermelhada.

GARAPA

Árvore ornamental, da família das leguminosas (Apuleia praecox), de folhas imparipenadas, compostas de folíolos alternos, coriáceos de cor avermelhada, flores alvas ou esverdeadas, dispostas em cimeiras axilares, e cujo fruto é vagem ovóide, monosperma eindeiscente. Fornece madeira de lei de cerne amarelado e ondeado. Amarelinha, Ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul e MatoGrosso.

JATOBÁ

Uma ótima madeira para armazenar cachaça. Árvore da família das leguminosas (Copaifera trichiofficinalis), de folhas penadas, flores minutase ordenadas em cachos, e cujo fruto é um legume pequeno e monospermo. O tronco produz um óleo tido pelo povo como medicinal.

JEQUITIBÁ /JEQUITIBÁ –ROSA

Uma das mais utilizada para envelhecimento. Designação comum a duas árvores de tronco muito grosso e alto, da família das lecitidáceas (Cariniana estrillensis e C. legalis), também chamadas, respectivamente, Jequitibá-Vermelho e Jequitibá- Branco, de folhas coriáceas, oblongas e acuminadas, flores
pequeninas, alvas e paniculadas, e cujos frutos são cápsulas que contém sementes aladas e se abrem por fenda circular, sendo a madeira, róseo-acastanhada ou bege-rosada, hoje muito usada em carpintaria. Ocorrem do nordeste ao sul do país.Jequitibá-rosa  não alterara a cor original.

IPÊ/IPÊ AMARELO

Designação comum às árvores do gênero Tabebuia (antes, Tecoma), da família das bignoniáceas, de que há dois tipos: a de flor amarela e a de flor violácea. Muito ornamentais pela floração belíssima, são dotadas de lenho muitíssimo resistente à putrefação. O Ipê é considerado árvore nacional.. Garante uma Cachaça que desce macio e um tom alaranjado.

PEROBA

Designação comum a muitas árvores das famílias das apocináceas e das bignoniáceas que têm madeiras de boa qualidade, sobretudo a peroba-de-campos e a peroba-rosa. Peroba-Amarela. Peroba-Amargosa. Peroba-de-Campos (Paratecoma Peroba). Norte do Espírito Santo e centro da Bahia. Peroba-Rosa (Aspidosperma polyneuron).

Revista do futuro (www.revistadofuturo.com.br)

Polo produtor de cachaça em São Paulo quer colocar o produto na rota dos turistas

Bebida é a segunda na preferência do brasileiro, atrás apenas da cerveja
Raphael Salomão | São Paulo (SP)

O primeiro registro de fabricação de cachaça no Brasil data de 1536. Atualmente, são cerca de 30 mil empresas que produzem mais de cinco mil marcas. A bebida é a segunda na preferência do brasileiro, atrás apenas da cerveja. E, no Estado de São Paulo, um importante polo produtor quer colocar o produto ainda mais no caminho dos turistas.

No Estado de São Paulo, o principal polo produtor é o chamado Circuito Das Águas. Na região se produz cachaça desde 1905, com um volume de 900 mil litros por ano. Parte sai de Monte Alegre do Sul. O município tem cerca de 7 mil habitantes e quase 50 alambiques, pequenos e artesanais. Alguns são filiados à Associação dos Produtores de Cachaça de Monte Alegre do Sul e Região - APROCAMAS. A entidade existe desde 2003 para dar suporte às cachaçarias..

Um roteiro para que os turistas possam conhecer essas áreas de produção no Circuito das Águas está sendo preparado em parceria da Associação dos Produtores com as prefeituras dos municípios que integram o polo turístico. O novo roteiro deve começar em agosto.

Monte Alegre do Sul

Texto: Leandro Amaral / Fotos: Divulgação
Monte Alegre do Sul




















Uma cidade pequena e muito pacata. Monte Alegre do Sul tem diversos alambiques e adegas de cachaças e vinhos artesanais. Porém, não é só de bebida que vive a cidade. Monte Alegre oferece opções de lazer, como a visita à  cachoeira do Falcão, ideal para quem gosta de estar em contato com a natureza. Há, ainda, a Fonte Girardelli e o balneário, em estilo neocolonial, recentemente reformado, que proporciona diversos tratamentos hidroterápicos. Próximo ao balneário, a Fonte Bom Jesus tem propriedades medicinais e sua água é indicada para diversos tratamentos. Mais afastada do centro, a Fonte da Índia é o cartão postal da cidade.

As casas antigas, que datam do século XIX, estão bem tratadas e coloridas. Um verdadeiro cartão postal, que também possui uma amostra da arquitetura neoclássica e neocolonial do Circuito das Águas Paulista. O Santuário do Senhor do Bom Jesus, Morro do Cristo, Pontilhão da Mogiana, Fonte Girardelli e a Estação Experimental são outras opções de passeio que Monte Alegre oferece.

O mês de julho remete a uma das frutas mais apreciadas no país, o morango. Em várias regiões do Estado a festa da fruta é destaque nesse período. O Circuito das Águas Paulista não poderia ficar de fora. Hoje, possui a mais conhecida Festa do Morango da região, organizada na cidade de Monte Alegre do Sul, criada em 1994, com o objetivo de fomentar a produção do morango. O sucesso foi tanto, que a organização do evento foi obrigada a repetir a festa nos anos seguintes. Hoje, é o maior evento desse tema na região e o mais visitado.

O acesso a Monte Alegre do Sul pode ser feito pelas vias Fernão Dias, Anhanguera, Bandeirantes e D. Pedro. Alinha-se entre grandes montes, esses integrantes das serras do Lambedos e Caraguatá, belas ramificações da Serra da Mantiqueira. Seus terrenos são, literalmente, acidentados.

O Município possui, aproximadamente, 6 mil habitantes, em sua maioria descendentes de italianos. Do número local de habitantes, 2 mil residem na zona urbana e 4 mil na zona rural. A população fixa acrescida da população flutuante chega à 12 mil pessoas.

Para onde quer que se olhe, podem-se admirar montanhas verdejantes com sua rica fauna e flora e de vez em quando curtir o vôo de garças e tucanos.

Região é conhecida pelas cachaças
Da orgânica à tradicional, as premiadas cachaças do circuito despertam a atenção dos visitantes e ganham roteiro próprio.

A região detém duas das três melhores cachaças do Estado, segundo o Concurso Paulista de Cachaça de Alambique deste ano, que teve mais de 150 participantes. Segunda colocada no concurso, premiada na categoria cachaça não envelhecida, a cachaça da Adega do Italiano, em Monte Alegre do Sul, se destaca no Circuito. Em Monte Alegre do Sul outras cachaças, como a Cachaça Chora Menina, Cachaça Campanari e a Cachaça Rouxinol também ganham cada vez mais expressão no mercado.

 A cidade de Socorro ficou em terceiro lugar na categoria não envelhecida, com a cachaça Galo Branco. Além disso, o alambique da Pioneira chama a atenção com seu processo 100% orgânico, sendo o primeiro alambique de cachaça orgânica do Estado de São Paulo e o terceiro do país. Hoje, Socorro possui cerca de 34 alambiques, como o Caribeña, Diamante das Montanhas, Cachaça do Campo e o Cachaça Morete. A Caribeña é exportada há 2 anos para os Estados Unidos com o nome de Cuca Fresca. Este ano, participou de um concurso de bebidas destiladas e fabricadas no Brasil, o São Francisco Word Spirit. Concorrendo com mais 20 cachaças brasileiras a Caribeña (Cuca Fresca) conquistou medalha de ouro.

Já em Serra Negra, as cachaças Theodoro e Santo Remédio, produzidas na Fazenda Amábile, reúnem o processo original de fazer cachaça e tecnologia de equipamentos. O clima da cidade ajuda na boa qualidade da cana-de-açúcar, que acumula maior quantidades de açúcares em seu interior. Um diferencial dessas cachaças é que são armazenadas para descanso em tonéis de jequitibá rosa ou envelhecida em barris de carvalho. Já entre as produzidas pela Família Carra, destaque-se a do “Nono do Tijuco”, elaborada em comemoração do centenário do nascimento de Juscelino Kubitschek. A produção foi solicitada por Antoninho Rapassi, presidente do Instituto Semana JK, em Americana.

Em Águas de Lindóia, um simpático senhor Ditinho, com seus mais de 74 anos, é o personagem central do Engenho do Barreiro, uma construção colonial do século XIX, que desperta a curiosidade dos visitantes. Lá, peças que poderiam estar em museus, contam um pouco da história da cidade e da fabricação da cachaça com a ajuda do sr. Ditinho. Feitas artesanalmente, as cachaças do Barreiro podem ser degustadas no próprio sítio e os turistas ainda vêem a cachaça azul, um dos três tipos de cachaças produzidos por lá.

Sucesso em Lindóia, o Engenho Cavalo de Tróia, além de alambique, faz produtos artesanais, como o fubá e, ainda, café torrado e moído na hora, suco de uva e o conhecido sorvete de queijo.

Na cidade de Jaguariúna o alambique que mais se destaca é o do Sítio Jequitibá, que faz a cachaça Jequiti, a primeira bidestilada do país. Um dos diferenciais do alambique é a produção em  escala reduzida, com uma cachaça mais leve e suave.

A Adega Benedetti, em Amparo, fabrica a cachaça Flor da Montanha. A história da família Benedetti, como produtores, iniciou em 1929. A cachaça começou a ser produzida juntamente com o açúcar e, hoje, a bebida é uma das mais conhecidas em toda a região.

Alambiques

Monte Alegre do Sul também é famosa pelos seus mais de 50 alambiques que produzem mensalmente cerca de 500 mil litros de cachaça artesanal. Existe até a Rota da Cachaça, onde alguns desses alambiques abrem as suas portas e permitem ao turista conhecer todo o processo produtivo, experimentar a bebida e comprá-la. Uma dica é conhecer a Fazenda Salmo XXIII, uma das mais antigas.  Ali há venda de pinga envelhecida em tonel de carvalho escocês, licor e bagaceira, um destilado feito do bagaço da uva.

A região produz a bebida desde 1905, quando os italianos trouxeram seus conhecimentos neste segmento. O método para destilar a bebida é o mesmo de antigamente: em alambiques de cobre e com fermento natural. Para divulgar a cachaça, os produtores locais investem cada vez mais em qualidade e criaram, em 2003, a Associação dos Produtores de Cachaça de Monte Alegre do Sul e Região (Aprocamas) para dar apoio técnico aos produtores e padronizar as garrafas.

ROTA DA CACHAÇA EM MONTE ALEGRE DO SUL

Produtores da cidade investem em qualidade e atraem mais turistas para o interior de São Paulo
Monte Alegre do Sul, a 140 km de São Paulo, produz anualmente 500 mil litros de cachaça artesanal e de dois anos para cá vem investindo em qualidade. O resultado tem sido não só a geração de mais empregos e a movimentação da economia local, mas também um aumento no fluxo de turistas para a chamada "Rota da Cachaça".

Trata-se de um passeio para conhecer alguns dos alambiques artesanais ativos na cidade. Ao todo são 57 e desde 2003 existe a Aprocamas (Associação dos Produtores de Cachaça de Monte Alegre do Sul e Região), entidade que vem investindo em apoio técnico para os produtores, padronizando garrafas, criando rótulos e divulgando o produto.

A região de Monte Alegre do Sul produz cachaça desde 1905, quando os italianos trouxeram seus conhecimentos neste segmento. O método para destilar a bebida é o mesmo de antigamente, em alambiques de cobre e com fermento natural. E a Aprocamas está trabalhando no sentido de criar um selo de qualidade e encontrar caminhos para chegar ao mercado externo com a bebida.

Quem visita Monte Alegre do Sul pode conhecer os alambiques, experimentar a bebida e comprar direto do fabricante, ouvindo as dicas e histórias de cada um. Outra opção é visitar a loja da Aprocamas no centro de Monte Alegre do Sul, lá estão produtos de 17 fabricantes locais. O endereço é rua Cel. Luiz Leite, 04, e o telefone é (19) 3899 2744. O horário de funcionamento é das 10 às 12h e das 13 às 18h, sextas, sábados, domingos e feriados.

Além de cachaça, a cidade oferece o típico clima do interior, com direito a pracinha na frente à Igreja Matriz, coreto e tudo mais. Entre as atrações da cidade estão ainda o balneário com diversos tipos de banhos (saunas, ducha escocesa, banho de imersão, banho de espuma e ducha circular), cachoeiras, espaço para trekking e moutain bike, e diversas fontes de água mineral.

Para fazer compras, as cidades vizinhas de Serra Negra e Pedreira são ótimas sugestões. Em Serra Negra, os visitantes vão em busca de roupas, queijos e doces. Já em Pedreira, o forte é o comércio de louças e utensílios domésticos.

Confira as tarifas dos melhores hotéis de Monte Alegre do Sul em maio:

Hotel Riacho Verde – situado às margens do rio Camanducaia, oferece chalés e apartamentos decorados com muito bom gosto e equipados com televisão, frigobar, lareira, ar condicionado e rede na varanda. Tem quatro piscinas, sendo duas aquecidas, sauna, spa Jacuzzi, quadra de tênis, quadra poliesportiva, paredão de escalada, sala de tv e vídeo, arco e flecha, playground, sala de ginástica, salão de jogos e casinha de bonecas. Em maio, a diária do casal com café da manhã, almoço e jantar incluídos está variando a partir de R$ 165 durante a semana e R$ 240, nos fins de semana. Exceto nos feriados. Para mais informações, basta ligar (19) 3899 1107/ 3899 1854 ou na internet www.riachoverdehotel.com.br

Pousada da Cachoeira – esta pousada conta com 25 confortáveis chalés espalhados por uma área com lagos, bosques, árvores, pássaros e pequenos animais. Na parte de lazer, a pousada conta com três piscinas, sendo uma aquecida, uma com toboágua e outra para crianças. E mais sauna, duchas, cachoeira natural e lago para a prática da pesca esportiva. Os hóspedes contam ainda com playground, salão de jogos, cavalos para passeio, trilhas, cama elástica, paredão de escalada, arco e flecha e mini campo de futebol. Os chalés possuem televisão, frigobar e varanda com rede. Alguns são equipados com lareira e banheira. Em maio, a diária do casal com café da manhã, almoço e jantar tem preços variando a partir de R$ 140 durante a semana e R$ 160 nos fins de semana. Nos pacotes de sexta a domingo, o preço fica em R$ 330. Exceto feriados. Mais informações e reservas (19) 3899 1692 ou na internet www.pousadadacachoeira.tur.br

Pousada da Fazenda – esta pousada é ideal para quem quer vivenciar a rotina de uma fazenda produtiva. Foi formada há mais de cem anos para o plantio de café e depois comprada por um imigrante italiano. Hoje se divide entre a atividade rural e o turismo. Possui chalés espalhados pela propriedade e equipados com frigobar, lareira e televisão, mais piscina, sauna, playground e salão de jogos. Os hóspedes podem ajudar a cuidar dos animais, fazer passeios a cavalo e acompanhar o cultivo de café, morango ou milho, dependendo da época do ano. Em maio, durante a semana, a diária do casal meia pensão (café da manhã e jantar) sai por R$ 120. Nos fins de semana, o pacote completo de sexta a domingo, com todas as refeições, custa R$ 400. Exceto feriados. Para mais informações, o telefone é (19) 3899 1204 ou na internet www.pousadadafazenda.com.br

Ibiti Hotel Rural – O Ibiti Hotel Rural oferece piscina, sauna, mini campo de futebol, salão de jogos, lago para pesca, horta, pomar, viveiro de plantas. Tudo isso em uma belíssima área, entre montanhas. A hospedagem é feita em três diferentes tipos de chalés, todos equipados com colchões de molas, duchas de aquecimento a gás, lareira, televisão e varanda com rede. O chalé da Montanha, com 50 metros quadrados de áreas, conta também com banheira de hidromassagem e decoração diferenciada. Em maio, o hotel trabalha com pacotes de fim de semana, com entrada na sexta e saída no domingo. Os preços variam a partir de R$ 320 com café da manhã, almoço e jantar incluídos. As tarifas não são válidas para feriados. Para mais informações, o telefone é (19) 3899 1518 ou www.ibitihotelrural.com.br

Pousada Cafezal em Flor – Com uma ótima vista das montanhas, esta pousada se destaca por ter sido construída com materiais recuperados, seguindo as tradições arquitetônicas da região e respeitando o meio ambiente. Hoje, a pousada oferece aos hóspedes comida caseira, com alimentos produzidos lá mesmo e servidos à beira do fogão a lenha. E, na parte de lazer, conta com piscina, churrasqueira, trilhas pelo cafezal, mirante e pomar. Cachoeiras próximas permitem ouvir o barulho de água. Todos os chalés contam com quarto, saleta de estar e banheiro e são equipados com colchões de mola ortopédicos e roupa de cama de alto padrão. Em maio, exceto nos feriados, a diária de casal está saindo por R$ 130 com café da manhã incluído. Para mais informações, o telefone é (19) 3899 2655 ou www.cafezalemflor.com.br

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